Coletiva 17/10/2019 - Tiago Carleto - Fotos: Letícia Martins/ECVitória

Com Thiago Carleto em campo, Vitória disputou dez partidas. Aproveitamento é de 63%, com cinco triunfos, quatro empates e uma derrota

O lateral-esquerdo Thiago Carleto completou, nesta semana, cinquenta dias como jogador do Vitória. Contratado no início de outubro, ele foi decisivo para a permanência do time na Série B do Campeonato Brasileiro. Mas o desempenho em campo não foi o único fator que contribuiu para o time baiano anular o risco do rebaixamento. A influência do experiente jogador de 30 anos ajudou o grupo, que estava abalado por resultados ruins, a subir de produção.

Antes de Carleto estrear, o Vitória vinha de uma sequência de cinco jogos sem vencer, com três derrotas e dois empates. Na primeira partida que o lateral acompanhou de perto, o Rubro-Negro vencia até os acréscimos do segundo tempo, quando levou o gol de empate do Sport. Na ocasião, ele foi até o vestiário para conversar com os novos companheiros de equipe. Foi justamente neste momento que ele percebeu que, com o incentivo correto, o grupo poderia fazer mais.

– Acho que foi um ponto de partida [a chegada ao Vitória]. Senti que foi um ponto de partida para a mudança de perfil de muitos jogadores, para animar. Eu acho que eu fui usado para estar aqui e tirar o Vitória dessa situação, não fazendo gol, dando assistência. Para mostrar para esses caras que eles podiam. A essência do time é a mesma. Os guerreiros continuaram, mas mudaram o chip. Consegui através disso, na conversa. O jogo contra o Oeste, que foi minha estreia, eu estava completando 25 dias sem jogar. No dia em que me apresentei, no jogo contra o Sport, não chegou a documentação a tempo. Eu fui no vestiário, naquele jogo, eu senti que eles estavam olhando para mim de uma forma diferente. Eu fui na roda, cumprimentei um ou outro, e eu chamei o Baraka e falei: “Baraka, chama esses caras. Tem vida aqui”. E eu não conhecia o Baraka. Ali, eu senti que daríamos a volta por cima. Depois que acabou, cheguei no vestiário e estava um clima de derrota. Parecia que tinha tomado cinco dentro de casa. Foi um ponto de partida. O que aconteceu, esse gol decisivo, foi uma coisa real, de comprometimento. E eu estou feliz.

A estreia de Carleto foi na rodada seguinte, com um triunfo por 3 a 1 sobre o Oeste. Já naquele jogo, o lateral mostrou que causaria problemas aos adversários com as cobranças de falta. No total, foram dez partidas com a camisa do Vitória, e o retrospecto é bastante positivo. Com cinco triunfos, quatro empates e uma derrota, o time conseguiu 63% de aproveitamento com Carleto em campo.

O último bom resultado do lateral pela equipe baiana foi justamente o triunfo sobre o Operário, que selou a permanência na Série B. Nos acréscimos, Carleto cobrou falta do meio da rua e marcou o gol da vitória por 2 a 1.

– De jogar futebol, de praticar. Dentro do campo, as coisas fluem. Você fazer um gol nos últimos 30 segundos, eu com a perna inchada, a coxa doendo, já não estava aguentando. Ofensivamente, foi um dos meus piores jogos. Eu quase não produzi, apesar do estilo do Operário ser chato, a gente estava sofrendo pressão. E, no último minuto, acontecer o que aconteceu. Eu falei com o [Everton] Sena e com o Ramon que não ia sair. É inexplicável. Mas eu sei por quê. Quando você faz as coisas com felicidade, com amor, as coisas acontecem. Eu educo meus filhos com esse perfil. Eu nunca pus a mão na minha filha, não dei um tapa, porque ela olha para mim e me conhece, se eu estou feliz, se estou triste. Desde a minha chegada, eu senti que tinha algo diferente. Poderia ser o título da Série B, que para mim foi um título.

A importância de Thiago Carleto é reconhecida por outros atletas do elenco. O lateral conta que, após o triunfo sobre o Operário, ele foi abordado por companheiros de time e recebeu agradecimentos. A postura dos jogadores causou surpresa.

Thiago Carleto aponta influência em transformação do espírito do Vitória (2019) 1
Carleto foi uma peça decisiva para o Vitória escapar do rebaixamento — Foto: Pietro Carpi / ECVitória

– Sim, ontem, depois do jogo lá, o Lucas Cândido me chamou, falou: “Ó, Carleto. Foi um prazer, cara”. E ouvir isso de um cara que é jogador do Atlético-MG, que tem uma história boa já no futebol, jogou Libertadores, e um dos caras mais experientes ali do grupo. Todo mundo respeita ele bastante. Ele me chamou no vestiário e falou: “Uma honra ter jogado ao teu lado, porque a gente não sabe o que vai acontecer. Se amanhã a gente vai continuar, se a gente vai embora. Mas foi uma honra”. Eu falei: “A honra foi minha de estar ao seu lado”. Eu senti, sim. Não é à toa que hoje nós temos amizade, a gente já saiu para jantar, todos juntos, os jogadores, reunimos todo mundo. Várias vezes, ninguém sabe, mas a gente se reuniu, conversou. Acaba o treino, a gente sempre fica lá. Quando vai concentrar, a gente fica lá junto jogando bilhar, fica todo mundo junto, dando risada. De coração mesmo, de 100%, 90% do clube, não só os jogadores, eu senti um afago grande. Acho que, devido a esse momento que eu passei no Ceará. Foi um dos motivos de a gente ter conseguido corresponder e conseguido a permanência. Foi o afago do clube todo, dos funcionários. Pela situação em que estava, financeira, o pessoal abraçou mesmo. Eu me senti abraçado. Falei até para minha mulher. Falei: “É impressionante”. No primeiro jogo em que a minha mulher foi com as crianças, foi o jogo contra o Oeste, ela sentou lá, meu filho era bebezinho… Ela foi super bem recebida, ainda falou assim: “Como um clube com essa grandeza está nessa situação toda?”. Porque eu contei. Ela não sabe muito assim. Falei para ela: “A gente pode ser usado para poder transformar isso aqui. Talvez a gente possa ajudar”. E agora aconteceu. Se vou continuar, não sei. Mas acho que, toda vez que lembrar que o Vitória quase caiu para a Série C, vão lembrar que teve um grupo, o Carleto passou por ali e pôde ajudar. Isso que eu estou feliz.

Emprestado ao Vitória pelo Ceará, Carleto tem contrato válido até o fim da temporada. Ele já afirmou que não coloca obstáculos para renovar o vínculo e permanecer na Toca do Leão por mais tempo.

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