Foto: Letícia Martins / ECVitória

Titular em todos os jogos que disputou pelo Vitória, lateral é peça importante no time de Geninho: “Encontrei a felicidade depois de tudo o que passei. Dinheiro não é tudo”

Nos últimos anos, um dos setores mais instáveis no Vitória foi a lateral esquerda. Sem “dono”, o Rubro-Negro teve diversos jogadores ocupando o setor, mas nenhum se firmou. Desde o início de 2019, foram quatro atletas contratados para a posição e, contando com os remanescentes da temporada passada, seis utilizados. Somente em outubro o time parece, enfim, ter encontrado o seu titular. Último a chegar para a função, Thiago Carleto é peça importante do time de Geninho.

Carleto tem 30 anos e estava no Ceará antes de chegar ao Vitória, no início de outubro. No dia oito, ele já entrava em campo pela primeira vez pelo clube, diante do Oeste. Ele agradou e não saiu mais. São cinco jogos pelo Rubro-Negro, todas jogos os 90 minutos.

– Desde já quero agradecer ao carinho da torcida, tenho recebido muitas mensagens de apoio. Quando decidi vir para cá, muita gente perguntou, e ainda me pergunta, o que eu viria fazer aqui. O Vitória nessa situação, tinha outros clubes interessados. Algo me dizia que eu tinha uma missão a cumprir. Poderia muito bem rescindir com o Ceará e ir para casa descansar, passar o final de ano com a família. Venho de um ano e meio complicado, de situações de vida. Tinha certeza que algo ia acontecer quando estivesse aqui. E está acontecendo em termos individuais. Claro que sozinho não vou para lugar nenhum. Tenho muito a crescer ainda, muito a ajudar nessa reta final. Minha presença aqui hoje talvez tenha motivado os jogadores. Tenho sentido isso no dia a dia. Conheço o Geninho muito bem, senti uma verdade grande no presidente quando me ligou, quando a gente conversou. Isso reflete dentro de campo. Os atletas ficam mais leves, mais à vontade – disse em entrevista coletiva concedida nesta terça-feira.

– Dinheiro nenhum paga a felicidade de fazer a sua profissão quando se faz com amor, quando se está feliz, quando se vê a família feliz. É o que tem acontecido comigo em Salvador. Encontrei a felicidade depois de tudo o que passei. Dinheiro não é tudo.

A fase no Vitória é tão boa que Carleto já deixou claro que pretende passar mais tempo no clube. O lateral tem contrato até o final do ano e não esconde que pretende renovar o vínculo com o Rubro-Negro. Só que, para isso, quer cumprir o objetivo de garantir o clube na Série B do Campeonato Brasileiro.

Carleto diz que encontrou a felicidade no Vitória e já fala em renovar para 2020 1
“Encontrei a felicidade depois de tudo o que passei”, diz Thiago Carleto — Foto: Ruan Melo

– [Contrato acaba no] No fim do ano. Sem dúvida [tenho interesse]. Ainda sou jogar do Ceará, eles têm uma responsabilidade até dezembro. O contrato é dividido em duas partes. Sem dúvida o desenho de ficar é grande. Mas isso só vai acontecer se cumprir com minha obrigação e cumprir a obrigação que tenho, que é deixar o Vitória na Série B. E ano que vem pensar, desde o começo, com mais tranquilidade. Mas para isso precisamos eliminar o risco, ainda não estamos em uma zona confortável. Perdemos uma oportunidade contra o Londrina. Vontade eu tenho, mas não posso pensar nisso agora. Estaria sendo injusto comigo mesmo de falar sobre meu futuro. O clube depende da permanência na Série B. A responsabilidade é nossa, de todos os jogadores. Assumi essa responsabilidade, vou lutar por isso, estou esperançoso e vou lutar bastante para, no mínimo, deixar o Vitória na Série B. Ano que vem a gente pensa [em renovação]. Mas pelo carinho, pela grandeza do Vitória, tem interesse da minha parte. Vou esperar chegar dezembro, com o objetivo alcançado, e a gente senta e planeja o ano que vem.

Carleto volta a campo com o Vitória no próximo sábado, quando o Rubro-Negro enfrenta o Figueirense, no Barradão, às 16h30 (horário de Brasília). A partida é considerada um confronto direto contra o Z-4, já que a equipe catarinense ocupa a 17ª posição, com quatro pontos a menos que o time baiano.

Felicidade

– É preciso estar feliz, convicto do que se vai fazer, estar de coração aberto. Eu prezo por isso e encontrei isso aqui. Por mais que o time esteja nessa situação, eu, particularmente, consegui encontrar a felicidade, e isso ajuda o grupo. Não estou aqui para ser a solução do problema. Mas estou para ajudar. Estou com vontade de ajudar. O Vitória não deveria estar nessa situação. Com todo respeito, tem clubes hoje na Série A que não tem a convicção, a grandeza do Vitória. E estão na Série A. Eu posso contribuir com isso e é o que estou fazendo. Mas, como disse, nada sozinho. Aqui tem ambiente bom, um grupo bom. Pegar um clube nessa situação, é difícil ver um sorriso. E aqui tem. Fico feliz em estar ajudando. Mas meu objetivo ainda não está nem perto de ser alcançado. Que é ajudar o Vitória o mais rápido possível a sair dessa situação incômoda. Vou trabalhar para ajudar.

Ambiente mais leve?

– Acho que o ambiente só estará leve e feliz quando atingirmos nossa meta, que todo mundo sabe qual é. A meta de pontos é atingir 45, 46 pontos e livrar esse clube grandioso dessa situação incômoda. A gente foi atrás, Geninho foi muito feliz depois do jogo ao dizer isso, que a gente foi atrás do prejuízo que nos colocamos depois do jogo contra o Londrina. A gente tinha uma expectativa muito grande de ganhar a partida, a gente sabe que única e exclusivamente por culpa da gente não conseguimos a vitória. A gente não conseguiu a vitória, a gente sabia que precisava buscar esses pontos. O mérito da equipe foi assimilar a semana boa de trabalho e, ao mesmo tempo, com todas as adversidades que a gente encontrou em Campinas, saber jogar e conseguir a vitória. Então, o clima leve não vem dessa vitória. Virá quando a gente atingir nosso objetivo que é se livrar o mais rápido possível da ameaça de rebaixamento.

Jogar com três zagueiros

– Já joguei com Geninho no Avaí, a gente jogava muito assim. Conseguimos até o acesso com três zagueiros nesse ano. Jogava com o Pablo, que hoje está no Bordeaux, o Antônio Carlos, que está no Palmeiras, e tinha o João Felipe, que jogava como o Zé. Zé Ivaldo no Athletico também fazia a lateral direita, acaba sendo uma saída. Geninho gosta de jogar assim. Até a expulsão a gente estava bem no jogo, estávamos controlando a bola. Não deu para deixar uma coisa efetiva. O esquema tático do treinador só é bom quando dá certo. Conheço Geninho, sei que ele gosta de jogar com três zagueiros. Os laterais viram alas, podem chegar mais na área, entrar na área adversária. Não vejo como problema. Temos zagueiros de qualidade que podem fazer essa função sem problema nenhum. Para mim não muda muito, só aumenta minha responsabilidade ofensiva. A gente costuma fazer o papel dos pontas. Aqui joga Wesley e o Felipe Garcia, temos essa responsabilidade maior, de colocar a bola para o pessoal da frente, abastecer, aparecer chutando. É uma característica minha que gosto. Por já ter jogado com Geninho, não vejo problema. Nesse jogo não vimos como seria. A expulsão mudou o panorama do jogo. A gente estava ganhando, eles iriam se atirar. Em vários momentos da partida a gente ficou mais retraído, mas tínhamos um bom contra-ataque. Wesley estava em grande dia, conseguiu segurar essa bola. É uma possibilidade de a gente surpreender. Nesse momento, os caras sabem como a gente joga. Geninho foi muito feliz. Gilzon Kleina esperava a gente no 4-4-2, fechadinhos, e acabou sendo surpreendido. No primeiro gol do Wesley, a Ponte está todo do lado direito. Uma jogada entre eu, Ramon e Chiquinho, pega o lado esquerdo livre, com um jogador só, que foi o Wesley. Isso foi trabalhado durante a semana. A gente fez dois treinos no Barradão, foi uma felicidade grande do Geninho surpreender nesse momento. As peças que usamos também favoreceu. Todos os jogadores fizeram um bom jogo taticamente. A gente sofreu, mas soube sofrer e ganhou o jogo.

Pique antes da falta

– Tudo o que você faz, no meu caso para chutar, para mandar a bola em direção ao gol, é válido. É uma coisa que virou rotina minha, hábito. É uma mania. Como roer a unha. Faço aquilo, acho que chego mais inteiro. Me dá confiança para chegar na bola inteiro. O dia que eu chutar fraco e fizer, você pode dizer que não vale de nada. É como o Roberto Carlos fazia. Quando se faz o movimento, parece que abre o leque, a bola fica maior. No treino faço também. Virou uma coisa que o goleiro adversário fica na dúvida, se vai vir pancada ou cruzamento. Os goleiros antes do jogo pegam nossos lances, por isso tento surpreender. Temos algumas jogadas trabalhadas que não tivemos a oportunidade de fazer, ainda não houve a falta. Se houve, vamos fazer. Bola parada decide jogo. Eu e o Gedoz trabalhamos bastante. Contra o Criciúma aconteceu de não perder com bola parada. Contra a Ponte, Chiquinho treinou. Teve uma falta no Wesley, ele fez o que a gente trabalhou, mas era para ele ter dado no chão. A gente trabalha bastante durante a semana por saber que bola parada decide o jogo.

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